Por Ana Kuroki.
Fiquei pensando sobre algo pra escrever aqui e depois de muita bobagem boba me veio à cabeça uma bobagenzinha, desta vez produtiva. Decidi escrever, na verdade compartilhar, alguns trechos de conversas e bates papos que tive por aí – com amigos, entrevistados, no balcão do bar, que de alguma forma me fizeram pensar, me inspiraram ou me provocaram. Espero que faça sentido à outros… este texto tem a missão de ser um simples espalhador de palavras.
Entrevistando um médico outro dia pra falar de longevidade ouvi uma coisa: “todos nós somos o resultado de uma vida inteira – de coisas boas, ruins, qualidades, defeitos, alegrias, tristezas, amor e desamor. E cada dia mais acho que envelhecer tem a ver com o grau de felicidade alcançado ao longo da sua vida, ou seja, quanto mais feliz e realizado menos doente e infeliz você será.”
Fiquei imensamente feliz ao ouvir isso e tive um insight digno do professor pardal: Uauuu, felicidade e auto-realização são sim variáveis que podem ser consideradas e RESPEITADAS pela ciência; portanto, quem sabe um dia conseguiremos traduzir conceitos tão abstratos (felicidade, amor, auto-estima) em coisas e provas cabais da composição humana. (agora sim a parte professor pardal): Criaremos ressonâncias que medem a felicidade acumulada ao longo da vida e assim como o cálcio saberemos o quanto de felicidade devemos acumular para não ter problemas ósseos, respiratórios ou cardíacos. Por outro lado, antes das ressonâncias existirem de fato pra comprovar a existência do incomprovável, por que raios não conseguimos incorporar ou simplesmente pensar a felicidade no dia a dia? Digo: o discurso “seja feliz” é sempre tão a longo prazo, parece previdência e aposentadoria, mas nunca é no hoje e nunca nos damos, realmente, conta de que estamos felizes. Emendo isso em outro pensamento: outro dia vendo saia justa passaram no programa um trecho de um filme do woddy allen em que ele elabora uma lista de “o porquê(s) vale a pena viver” – filmes, atores, cenas, lugares etc. Adorei isso, pensar nisso. E quando me vi lá estava eu de papel e caneta imaginários nas mãos (sim, eu estava largada no sofá e não queria me mover) fazendo meu pequeno inventário da felicidade. Pra mim vale a pena viver por: wog kar wai e quase todos os seus filmes, alguns marcantes (na minha vida) de bertolucci, tarantino, kurosawa, o documentário pan-cinema-permanente de carlos nader, os espigadores e a espigadora de agnes vardá, el cielo gira de mercedez álvares, cinema bom, morar em barcelona, viajar sozinha pra paris, o clima fábula que senti em praga, os templos budistas da tailândia, o rio ganges perto dos himalaias, botecos com cerveja cinza e espetinhos em goiânia, a feijoada e o quibebe da minha mãe, meu grande amor, o jamón, jantar de gala em um palácio no marrocos, são paulo vazia, festas estranhas em lugares alucinantes do centro de são paulo, acordar tarde e ir à feira comer pastel e comprar verdes (amooo), colocar colchão na sala zapear e comer besteiras em dia de chuva, cavalcante, meus reveillons na bahia com grandes amigos…….tendendo ao infinito. Enfim, experimenta fazer aí….diário da felicidade já!
Em outro papo com meu querido ex-professor e orientador luli ouvi o seguinte: “a internet, para o século XXI, significou/significa a válvula (de escape) de uma panela de pressão. Até o século XX as sociedades viviam “fechadas” em si, vivendo a família, a moral e os bons costumes e daí nasceram as doenças do “confinamento” – depressão, pânico, loucura…. A internet “abriu” os horizontes, ampliou o mundo, a visão; ficou mais fácil achar iguais, compartilhar, ter voz e liberdade”.
Isso me fez pensar em muitas coisas: desde reflexões pessoais e mais apropriadas para uma mesa de bar, como – a internet é a grande contribuinte de auto-confiança e vaidade do séc XXI. Isso porque você pode ter certeza de que qualquer, mas qualquer coisa mesmo que você tenha pra falar esteja certo de que existirá no mundo ao menos 1 pessoa que queira ouvir, isso não te deixa se achando ao menos um pouco? Essa é a onda e a loucura da rede. E também me fez pensar nisso como ponto de origem para as próximas gerações, que vêm mais seguras de si e arrisco dizer que vêm mais COLABORATIVAS. Porque poder olhar mais para si, olhar o outro, ter quem te escute, tomar gosto por ser ouvido, ter vício em compartilhar, em agregar, em gerar seguidores, em fazer eco etc me faz pensar e quase “prever” sociedades que pensam mais não só em si, mas também no coletivo, na colaboração e na diversidade (mas de verdade!!). Isto é, sendo otimista e olhando o lado bom da coisa, claaaaro.
Agora, relendo estes pensamentos e papos acima chego à conclusão que sou uma hippie de carteirinha, fico aqui torcendo por palavras e conceitos como felicidade, amor, diversidade, coletivo caírem no gosto do povo. Só falta eu começar a escrever pra vocês sobre LUZ e PAZ na terra. Mas enfim, estes ficam pra próxima.
Por hoje vou parar nestes 2 papos, mas ainda coleciono outros e colocarei aqui mais adiante.
Namastê (hehehehe).