Young lions 2010 de planejamento, por Ana Kuroki
Neste ano fui convidada pra ser jurada do prêmio Young Lions de planejamento – 33 cases me foram enviados, destes, apenas 6 entram pro shortlist e por fim 2 ganham o título e como prêmio partem para o festival de cannes com tudo pago. Fiquei muito feliz com o convite por 3 razões básicas: minha sócia na limo inc (laura chiavone) já tinha ganhado o prêmio, eu também já havia ganhado e por fim neste ano a limo decidiu apostar na importância dele e bancar 1 das 2 vagas. Enfim, eu tinha um peso da responsabilidade de julgar, mas também um inevitável vínculo emocional com o prêmio em questão.
Depois, em um 2o momento fiquei, felizmente, surpresa por diversas vezes ao ler todos os trabalhos. Em parte pela carta dos candidatos, que abria cada projeto. Eles deviam responder à pergunta: “Quais os principais desafios para um jovem planejador nos próximos 5 anos”. Flexibilidade, mobilidade, visão fragmentada, multi- (disciplinar, foco, meios), criatividade, inovação, pensar além de meios, idéia, idéia, idéia. A maioria das respostas passava por aí, em olhar pra um planejador mais desprendido, solto de processos default e mais: tenho a sensação de estarmos diante de um planejador-gerúndio – indo, estudando, entendendo, criando, pensando, movendo-se….sempre. A imagem que eu, agradavelmente, construía na minha cabeça era de uma pessoa de calça jeans e tênis colocando a mão na massa, capaz de em um momento estar sentado numa mesa de escritório, mas também na rua, no carro, indo e vindo de um canto pra outro. Afinal de contas, em um mundo cada vez mais fragmentado e inundado de informações, tudo parece chegar muito fácil à todos, que sentados esperam, portanto, fica e ficará de fato cada vez mais difícil fazer a diferença em idéia e pensamento (novo). Foi uma surpresa bem vinda: imaginar jovens planejadores, de lugares e históricos diferentes vislumbrando futuros similares – móveis, em transformação constante, mais desafiadores e complexos na essência.
A outra grande e feliz surpresa veio ao abrir os trabalhos de fato. Notei que uma boa parte dos cases apresentados passava, na vida prática, por novos modelos de pensamento estratégico: que iam desde a co-criação (sentar ao lado de criação e mídia pra desenhar soluções criativas) até a inversão de lógica e raciocínio (ao invés de falar só com o consumidor atual como de costume, fala-se com comerciantes, vendedores, não-consumidor, por onde passa o consumo e não onde chega e sai), chegando por fim em estratégias de comunicação que invadem cenários nada convencionais ou focam a atenção em meios digitais e outras alternativas, até pouco tempo muito distantes da propaganda: curtas metragens, personagens fictícios, programas, guias e conteúdo desenhados à mão para o produto, pensado e customizado. O resultado destas inovações que vem surgindo de jovens planejadores pode ser sentido no shortlist, onde destacaram-se planejadores que alem de saber contar muito bem a sua história, seu envolvimento, ferramentas usadas pra gerar a estratégia mais criativa, usaram e abusaram do meio digital – ou como veículo principal da sua estratégia de comunicação (3 entre os 6 do shortlist) ou como fonte de contato e entendimento do consumidor (1 entre os 6). Ou seja, entre 6 participantes do shortlist, 4 deles saem dos meios tradicionais de comunicação e investigação. E os outros 2 saem do raciocínio padrão, abusando de novas perspectivas – fazendo diferentes perguntas sobre um mesmo público ou o um tema batido. QUESTIONAMENTO é o que fica, contestar o conhecido.
Enfim, saio feliz desta experiência não somente pela participação em um prêmio pelo qual tenho um grande carinho, mas também em poder ver que muito do que eu acredito pro planejamento hoje e no futuro vem ganhando eco e força. Já que eu acredito sim, e cada vez mais, em uma disciplina que deve estar atrelada ao pensamento, ao bom pensamento e pensamento, definitivamente, não tem paredes, limites, formas definidas ou meios pré determinados. O pensamento nasceu livre e o desafio está em saber guia-lo, dentre caminhos conhecidos e não conhecidos; com coragem pra assumir caminhos desviados ou pensamentos novos, que chegam sem avisar.


